Na metade do ano de 2010 comecei um tratamento com o endocrinologista. Umas taxas altas aqui, outras baixas ali... insulina acelerada, uma disfunção na tireóide, muito sono, pouco humor e muitos kgs a mais em um curto espaço de tempo, além da síndrome do ovário policístico. Tudo junto e misturado, garantindo um corpo e uma alma em perfeito desequilíbrio. Depois de devidamente diagnosticada e medicada, o médico sugere que eu dê uma parada nas pílulas mágicas. "Com todo esse desequilíbrio hormonal, mais a irregularidade do seu ciclo - uns 2 meses q eu não ficava menstruada - mais a síndrome do ovário policístico e mais esses remédios, acho bem difícil que vc engravide." Aliás, essa história de "acho difícil que vc engravide" era o que eu mais ouvia durante minhas idas a ginecologistas e endocrinologistas desde que eu tinha 14 anos. E a cada consulta eu perdia mais as esperanças de engravidar como uma pessoa normal, afinal era certo até então que eu só engravidaria fazendo um tratamento. Outras vezes eu acreditava que não poderia ter filho mesmo e dava uma tristeza danada. Logo eu que era louca pra ter um... Mas apesar disso tudo eu nunca me afilgi tanto assim, afinal não tinha chegado a hora ainda. Deixava pra ver o que ia fazer, chorar e me descabelar quando chegasse a hora de virar uma tentante. Bem, sendo assim, parei feliz de tomar as pílulas e relaxei. Durante uns dois meses. Até um belo dia em que a pessoa se liga que vem se sentindo muito enjoada, sem muita vontade de comer doces (como assim??? a pessoa é o açúcar em pessoa), andando com a boca amarga... mas né, eu não posso engravidar e vamos esperar alguma coisa mais séria acontecer pra eu ir ao médico.
Então, numa linda manhã de sol eu acordei, umas 6 hrs da manhã sentindo alguma coisa entalada na garganta.
_Amor, tô me sentindo estranha...
_Ahn? Que foi bb?
De repente a pessoa dá um mega salto da cama e quando vê já está no banheiro, colocando tudo o que comeu - e não comeu também - pra fora...
Estranho? Não. Seriamente estranho. Eu nunca vomito, eu posso passar mal o tanto que for que eu não vomito. Nem me lembrava quando tinha sido a última vez e nem quantos anos isso fazia. But eram 6 da manhã, muito cedo pra eu pensar mais sério em alguma coisa. Depois do ocorrido eu simplesmente voltei pra minha querida e amada cama e dormi mais um pouco, feliz e contente, e acordei como se nada tivesse acontecido.
Passou 1 dia.
2 dias.
3 dias.
E aconteceu de novo. Dei uma acordadinha no meio da madrugada pra um vômito súbito.
Aí já era demais né. Já que grávida eu não estava mesmo, vamos ver o que eu comi e me fez mal ou que raio de problema era esse. Minha mãe conseguiu um encaixe lá na clínica geral q ela volta e meia vai. "Muito boa", ela disse. Cheguei, contei tudo, ela examinou, achou um lugar na minha barriga q doía à palpação, e disse que "grandes chances de ser problema na vesícula." "Possibilidade de gravidez Dra?" "Não, pela sua história não. Aposto na vesícula." Ok, a pergunta era só pra confirmar o que já estava assegurado. Gravidez não era.
No outro dia de manhã fomos eu e marido no laboratório fazer parte dos exames e, enquanto a menina decifrava os pedidos na guia, marido deu a idéia... "vamos fazer um beta só pra descartar essa possibilidade." E fizemos. No outro dia ele foi pegar o resultado e levou pra casa. Estava eu na cozinha, de frente pro fogão (ahn?) quando ele chegou e me deu o envelope. E ficou rindo (sei lá o porquê, afinal o envelope estava lacrado, ele sabia tanto quanto eu). Li a primeira vez e não entendi. Li a segunda e também não. "Ué, tá dizendo aqui que acima de 50 mUI/mL é positivo, mas não diz o quanto deu o meu. No lugar do meu resultado está escrito de novo 'acima de 50 mUI/mL'... não tô entendendo isso." De repente e não mais que de repente a ficha caiu: o meu resultado deu acima de 50 blá blá blás...
_ amor, estou grávida!!!!!!!
E foi assim que no dia 7 de janeiro de 2011 fomos as duas (três???) pessoas mais inseguras e felizes do mundo.
P.s. continua...
P.s. continua...
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