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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Pink it's my new obsession!




Nunca fui muito chegado a carrinhos. Meu negócio mesmo eram os tanques de guerra. Minha mãe e eu guardamos em um saco uma porção dos meus antigos brinquedos. Escolhemos aqueles em melhor estado e mais bonitos para, um dia, passarmos adiante, como um "baú de tesouros" a ser aberto pelo meu garotã...opa! Como é?! É uma menina?!?! Ooooun, que cutie cutie! !! Mas e agora, como eu brinco?

Pois é, papai, de repente seu mundo de soldadinhos valentes e monstros alienígenas mutantes será obrigado a dar meia volta, na direção de um universo fofo e surreal onde as borboletas sorriem, as ursinhas, multicoloridas, usam fitinha no cabelo (?!), e os unicórnios são pôneis alegres que passam o dia a saltitar em belíssimos campos de margaridas igualmente felizes.

Bem-vindo ao planeta cor-de-rosa.

Quando o médico der a certeza de que vocês estão esperando uma menina, poderá se sentir meio estranho, enfiando as mãos nos bolsos sem saber o que fazer. Afinal, fomos criados, desde sempre, numa sintonia diferente, bem batutinhas, valorizando coisas que, para elas, não fazem o menor sentido ,e vice-e-versa. Com os anos, a rixa dos joguinhos do "xou da xuxa" se torna um abismo entre nós, algo que afeta a compreensão de ambas as partes num nível liguístico e cultural. Quem de nós, marmanjos barbados, mesmo inteiramente dependentes delas, é capaz de erguer a mão com franqueza e se gabar dizendo: "eu entendo as mulheres"?

Mas você quer ser um paizão e pra isso terá de se comunicar com sua pequena. O jeito então será cair de cabeça num supletivo mimoso, sem medo de parecer ridículo, uma vez que esta é a melhor forma de alcançá-la, falando e sendo entendido. Assim se dá educação, e o lúdico está dentro do pacote.

É quando percebemos a maldade daquele mundo velho, machista e babão, adestrando nossos pimpolhos com suas histórinhas de ninar, transformando os meninos em predadores tarados e as meninas em donzelas em apuros à procura de um marido. Que raiva peguei daquelas princesinhas da Disney! Cinderela, a vítima silenciosa de bullying familiar, Bela Adormecida com sua mania de se espetar e dormir, Branca de neve e seu bizarro relacionamento com os 7 anõezinhos da floresta, e Bela...aquela dada como pagamento de uma dívida de seu paizinho. Todas salvas pelo lindo amor de um príncipe encantado.

Graças à Deus essa mentalidade mudou, ou pelo menos possui um caminho alternativo. Elas quebraram os estereótipos e a cultura seguiu logo atrás. Fiz até uma lista de princesas legais pra apresentar à Valentina, como Diana, a mulher maravilha, quebrando tudo em nome da justiça; Peach, ou Cogumelo, que cansou de ficar esperando pelo encanador e saiu flutuando por aí como a melhor personagem em Super Mario 2; e, claro, Sara, que voava em seu cavalo de fogo para Darshan estragando todos os planos da terrível Diabolin.

Ei, o que você esperava de mim? Sou um nerd trintão!

Falando sério, o que nós queremos é ver nossas filhotinhas felizes, não é? E não importa se, pra isso, elas quiserem ser princesas, bailarinas ou astronautas, desde que façam suas escolhas livres, por força de seus sonhos, de suas convicções, e não apenas para atender aquilo que a sociedade ditar. À nós cabe o papel de grandes incentivadores, alimentando a fantasia, abrindo o leque das opções, e oferecendo as ferramentas que as permitam construir a realidade exatamente da maneira que idealizaram.

Eis que as barreiras caem. O sexo é irrelevante quando falamos da capacidade de sonhar. Somos todos iguais, buscamos nossa realização, e chegar lá depende principalmente da força de vontade ao perseguir seus anseios. Basta olhar ao redor, camarada. Elas estão por toda parte. Guerreiras vitoriosas. Donas de casa, professoras, enfermeiras, médicas, psicólogas, jornalistas,...presidentas! Não são quem podem e sim quem querem ser. E é muito bom saber que sua filha vai crescer cercada por esses magníficos exemplos.

Mamãe, vovós, bisas, titias...as princesas mais lindas entre todas as histórias.

Mas tudo começa no rosa e pra lá, alguma hora, tende a voltar. Mesmo Dilma, nas suas horinhas de descanso, deve sentir falta do seu ursinho, o companheiro. Por isso, meu nobre, a escolha é sua. Ou você finge que não é contigo, compra uma panelinha de plástico pra guria e manda ela fazer o "papa" quietinha, ou deixa a joaninha do Girl Power te morder, entende a maneira dela enxergar a vida, e participa diretamente na criação de uma mulher e tanto!

P.S. - Só tô bolado com esse lance de sogrão...

Ah, outra coisa! Escrevi um livro pra minha filha. O nome é "Valentina, a astronauta" e fala sobre essas coisas q escrevi no post. Quem sabe um dia você não o lê para a sua? A primeira página tá ai:


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