Bem, depois de contar como descobrimos a gravidez ( parte I e parte II) e como vivemos intensamente esse período (A Gravidez), vamos falar um pouco sobre o parto...
Estávamos nas últimas semanas e eu estava com uma pulga atrás da orelha... as últimas ultras vinham dando uma diferença de quase 3 semanas na idade gestacional do bebê (por exemplo: eu estava com 35 semanas e a ultra acusava que não, que eu estava com 32 pra 33 semanas). Liguei para a médica e ela nos acalmou, dizendo que isso era normal, que havia mesmo uma margem de erro. Isso não entrava na minha cabeça. Todos repetiam todo o tempo as palavras da médica e diziam que era paranóia minha, coisas de mãe de primeira viagem aflita e preocupada. Inclusive o marido. Por fora tentava me acalmar e seguir calma, por dentro era a tensão em pessoa.
Pois bem. Fizemos a próxima, com 36 semanas. De novo a mesma coisa...o bebê havia desenvolvido pouco. Ela (a médica) analisou a ultra, disse que estava tudo bem e que não havia nada de errado, nossa bebê estava com peso e medida dentro do esperado. Mas de fato ela tinha dado uma parada no crescimento. Além disso o líquido amniótico estava no limite. Então ela na mesma hora conseguiu uma vaga imediata pra fazermos uma nova ultra. Lá fomos nós, aflitos, olhos cheios de água. O que havia de errado? Voltamos com o resultado e só aí ela realmente achou que eu estava fazendo uma insuficiência placentária. E o líquido estava diminuindo. Sendo assim ela achou melhor não arriscar e marcou uma cesárea quando ainda estávamos entrando na 38ª semana. E o parto normal que tanto desejamos? Não foi possível. Tudo bem, aquela altura eu só desejava minha filha saudável, não importava como isso se daria...
Então, dia 1º de agosto chegamos bem cedo ao hospital, às 6 da manhã e demos entrada na internação. Ainda não tinha caído a ficha, eu estava calma e serena. Minha mãe o tempo todo fazendo carinho e dizendo que tudo daria certo me passava que estava uma pilha de nervos. Marido querendo registrar tudo, rindo o tempo todo, fazendo carinho e dizendo que me amava todo o tempo. Tudo estava perfeito pro dia do nascimento da nossa primeira filha. Até que... chegam com a maca. Foi o tempo de eu deitar nela que tudo se transformou... comecei a ficar nervosa e pensar como seria tudo... me levaram sozinha lá pra dentro, Vini só pôde entrar depois. Assim que cheguei na sala todos bem descontraídos tentavam me deixar calma, conversando comigo e explicando cada procedimento. Ok, eu ainda estava calma, até que a anestesia não pegou. Eu sentia tudo, nenhuma dormência, nem formigamentozinho. O médico chegou a pensar que era medo meu e que eu queria alguma coisa mais forte. Haha. Enfim, ele aplicou a segunda, e demorou um pouco até eu não sentir mais minhas pernas. Daí foi só felicidade. (Ahn?) O aparelho de pressão resolveu não funcionar. Colocaram outro. Também estava ruim. Eu pensava: gente, onde eu estou? num açougue? que p... de hospital é esse que na sala de cirurgia não tem um aparelho de pressão funcionando e que m... de anestesista é esse que a minha médica tem que não verificou isso antes? Isso porque tínhamos pensado bastante em que hospital teríamos e todos diziam: É a melhor opção de Niterói... Como a idéia era o parto ser normal não fazia muito sentido escolher um hospital em outra cidade, como havíamos cogitado. Enfim, o aparelho não funcionou e o anestesista ficou andando de um lado pra outro no corredor, entrando e saindo da sala, pedindo pra circulante arrumar outro e nada. Aí ele diz, meio que sozinho: bem, vou ter que monitorar a pressão pelos sintomas. Aí eu penso, que ótimo! Tento me concentrar pra manter o equilíbrio mas só penso: Só falta eu começar a ter uns enjôos, sono, tremedeira. Certo! Pensamento certo! Comecei a ter ânsia de vômito e a tremer. Rapidamente ele administrou um remédio e melhorei... mas nessa hora eu já estava cansada daquilo tudo, tensa e ao mesmo tempo em total letargia... eu tinha pensamentos confusos, estava achando tudo aquilo uma loucura e ao mesmo tempo mal conseguia falar alguma coisa, perguntar alguma coisa, reclamar de alguma coisa.
Então, chegou a hora de Vini entrar na sala e eu me senti mais segura... lembro que ele conversou um pouco comigo, ficou ali, abraçado, falando coisas boas.... e então o pediatra chamou pra ver a hora de tirar o bebê. Eu estava muito em outro mundo dopada, mas ainda assim consegui ouvir um barulhinho que eu sabia que era meu bebê. Não chorou, deu uns miadinhos pequenos... lembro da médica perguntar se estava ouvindo... vini sumiu e eu não pude mais ouvi-la...depois de um tempo o pediatra voltou e disse que ela estava ótima... E aí, quando olho pro lado tive a maior emoção da minha vida: Vini vinha em minha direção com um embrulhozinho azul, que de longe eu só via o cabelo... quando ele abaixou e a colocou em cima de mim ele disse, com lágrima nos olhos: "Olha quem eu trouxe, amor, pra te ver! Ela é linda!" Eu queria abraçar, aconchegar, mas eu mal mexia meus braços, não tinha forças... ela era linda, eu nunca imaginei que pudesse ser tão linda! linda, linda! era a única coisa que me vinha a cabeça, linda! Vini acompanhou todos os procedimentos com ela, peso, medidas, sonda, exame físico e a colocaram na incubadora pra pegar um calorzinho enquanto eu ainda estava na sala. Vini voltou e ficou comigo até eu ser liberada pra ir pro quarto enquanto o resto da família babava nossa pequena na incubadora.
Logo depois que fui pro quarto tudo havia se apagado da minha cabeça e eu só queria saber da bebê. E então ela chegou. E eu pude abraçá-la pela primeira vez. Tudo aquilo foi incrível, é uma sensação única, não consigo transformar em palavras. Como dizia Vinícius, não esse que viveu tudo comigo, o outro, o de Moraes: "Filhos, se não os temos, como sabê-los?" E é exatamente isso! Você pode passar uma vida inteira escutando de relance várias mães falarem isso, ficar grávida e ouvir todo mundo te contando a experiência maravilhosa que é ser mãe, ler relatos, ver com seus próprios olhos, mas ainda assim você não vai saber.
Todo esse êxtase só foi prejudicado pelas condições em que tivemos o bebê. Tudo poderia ter sido muito menos doloroso e muito mais prazeroso pra mim. No pós parto eu senti uma dor infinita, as lágrimas rolavam, eu mal conseguia me mexer. Na primeira vez que tentei ficar de pé eu vi estrelas, nunca antes na vida tinha sonhado que alguma coisa doesse tanto. No primeiro banho eu desmaiei de tanta dor. Sem contar nas dores de cabeça insuportáveis que tive por conta das duas anestesias e que quase me fizeram voltar pro centro cirúrgico. Passei os dois dias no hospital deitada, a base de remédios muito fortes pra dor de cabeça, que me deixaram grogue e sonolenta.
Além disso, foi uma cesárea antes do tempo certo, eu não tive nada de colostro, e minha filha não conseguiu pegar o peito pra estimular. Eu não aceitava a idéia dela ter de tomar os suplementos, mas ela já começava a gritar de fome. O apoio à amamentação foi 0, fomos aconselhados sempre a dar leite artificial pelos profissionais do hospital. Só recebemos apoio a amamentação do pediatra da equipe da minha médica. Enfim, foi tudo muito traumático e nem de longe eu recomendo aquele hospital.
Assim que chegamos em casa meu marido só dizia que tinha sido uma emoção única e que queria ter outro filho. E eu ficava desesperada só de pensar na hipótese. Dizia que jamais teria outro, que tudo tinha sido difícil demais pra mim... aquelas dores estavam me destruindo por dentro, tirando minha vontade de toda e qualquer coisa. Ainda bem que memória de mãe é curta. Hoje, se eu fechar os olhos, as cenas que vem são todas dos momentos bons, da alegria que senti. Isso porque a felicidade que ela trouxe é infinitamente maior que toda dor que existe no mundo. Depois de um tempo todas as dores passaram... mas o amor que eu trouxe pra casa não vai passar nunca, é amor de mãe, é amor eterno.
Chorei...
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